Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Bom dia!

São 06:20 da manhã e estou a ir para a estação de comboios porque tenho uma formação em Lisboa. E estou a ir a pé porque a esta hora os autocarros ainda nao estão a funcionar. 

Mas há taxis, certo? 

Certo.. 

Mas com que se tem passado ultimamente nomundo o é legítimo ter um pouco de receio de me enfiar num carro com um desconhecido? 

.. 

 

Festa surpresa

Este ano não me quis chatear muito em organizar jantar de aniversário, por isso, optei apenas por fazer jantar com a familia, 4 amigos mais próximos e o meu namorado. Marquei o jantar para o próprio dia de aniversário, dia 12 às 20h00 e pronto. Sem preocupações.

 

Pela primeira vez em anos estava despachada para sair de casa a tempo, para não me atrasar, pois ainda tinhamos de apanhar a minha madrinha no caminho para o restaurante.

 

Assim que eu e a minha mãe chegamos ao carro do meu namorado, assim que ele se sentou "parece que cheira a queimado". Pânico total. Não fosse eu a pessoa mais traumatizada de sempre. E o carro não pegava. Ele ligava e ia sempre abaixo. Toda eu já estava a transpirar, de nervos. Não por não estarmos a avançar no tempo, mas com medo que o carro me explodisse (sim eu sei que sou maluca). Lá começamos a andar...mas...a 10km à hora...Porquê? Porque o carro não conseguia andar mais que isso. Parámos nas bombas de gasolina e lá foi ele abrir o capô e toca de andar para lá a mexer. Eu em pânico total. Já passava mais de 30 minutos da hora marcada no restaurante. Mas a minha preocupação era aquele carro e o facto de eu estar lá dentro.

 

Finalmente nos pusemos a andar, apanhamos a minha madrinha e finalmente estacionámos e fomos até ao restaurante.

 

Foi assim que fui recebida, não pelas 12 pessoas que era suposto mas por mais de 30. Festa surpresa.

 

IMG_6407.JPG

Nunca tinha tido uma festa surpresa e admito, nunca pensei que um dia iria ter, porque pensei que jamais me conseguiriam enganar. Pois bem, estava enganada. Assim que cheguei ao restaurante e comecei a ouvir a ecoar a música dos parabéns, uma data de balões com as letras do meu nome, balões dos 24, e uma data de caras que eu não estava à espera, as lágrimas falaram mais alto, confesso.

 

IMG_6409.JPG

 

Mas as surpresas não ficaram pela surpresa (se é que me faço entender). Um mega quadro cheio de fotografias, umas recentes, outras mais antigas. Um mega quadro cheio de momentos. Lindo de morrer. E ainda um video cheio de fotografias e também alguns videos de quem não conseguiu estar presente. Não preciso dizer que chorei a potes, não é?

IMG_6406.JPG

Um ano

Um ano. Fez ontem exactamente um ano que a vida me pos à prova.

Sempre que fecho os olhos ainda sinto aquela sensação, aquela aflição. Fecho os olhos e ainda sinto aquela água, aquele vapor, naquela temperaturas indiscritivel a atingir-me o rosto, a mão, o braço, as costas.

Lembro-me como se fosse ontem cada pormenor. O meu grito, as minhas lágrimas e o meu pensamento naquele momento.

"Totalmente desfigurada" era o que ecoava na minha cabeça e o que transmitia toda aquela dor, ardor, desespero.

Não conseguia falar, só chorar.

Tive medo de me ver ao espelho, muito medo daquilo que iria encontrar. Felizmente, era eu.

Totalmente vermelhada e inchada, mas aparentemente bem.

Segui para o hospital onde o médico que me atendeu na urgência me receitou cremes e pouco me disse.

Queimadura de segundo grau, fiquei a saber mais tarde, por outro médico.

Do hospital segui para casa da minha irmã mais velha, com todos à minha volta, ainda em choque.

Nas minhas bochechas comecei a ver pequenas bolhas a formarem-se. Pos creme e fiz-me de forte.

Por volta das quatro horas da manhã acordo. Sinto-me muito inchada. Ai sim, já sabia o que esperar quando me visse ao espelho.

Completamente inchada, pescoço, cara, o dobro. E coberta de bolhas.

Um monstro. Foi o que me senti.

No dia seguinte tinha de ir marcar consulta com o cirurgião plástico, mas assim que cheguei pedi para ser logo atendida.

Assim que o médico que me atendeu na noite anterior me viu, toda uma expressão de surpresa apoderou-se do seu rosto e só me surgiu um "Pois, ontem não estava assim não é".

Não me explicou o que iria acontecer, as fases que uma queimadura passa, uma grande falha que eu merecia saber para me preparar para o que ai vinha. Mas tive de descobrir primeiramente, apenas por mim, a cada novo acordar, dia após dias.

"Gostava que ficasse internada, mas não temos vagas".

Mas tive vários anjos da guarda. Acredito seriamente nisso.

Um deles, uma médica da Unidade de Queimados de Lisboa, que me acompanhou via telefone e e-mail. Que se disponibilizou para ajudar no que fosse necessário, mesmo a 300 km de distância. Graças a ela sabia o que fazer sempre que havia uma nova reacção no meu rosto.

A minha familia, o meu namorado, os meus amigos. Foram os meus enfermeiros, em casa. A por creme, a limpar, a tratar de mim.

Os dias seguiram-se, assim como as várias fases de cicatrização, inchar, criar as bolhas, romperem-se, criar feridas, crosta, sair tudo, ficar com uma nova pele, ainda praticamente em sangue, tornar-se rosa, e depois branca.

Mentiria se dissesse que foi fácil. Não foi. Foi complicado ver-me ali, deitada, sem poder sair de casa, sem poder fazer esforços, a ver um rosto que não era o meu.

Houve momentos de fraqueza em que tive medo, que as lágrimas falaram mais alto. Mas os momentos em que a força foi maior, foram bastante mais.

Nunca ninguém imaginou que iria sair deste episódio sem marcas bastante visiveis. Era a preocupação de todos, embora não a dissessem em voz alta. Eu sabia que era.

Era a minha, mas tentava não pensar nisso, não me massacrar com essa possibilidade.

Um ano passou.

Todos os dias me lembro do que aconteceu e da sorte que tive. Sim, sorte.

Tenho marcas. Mas só eu e os mais próximos sabem que as tenho. São visiveis a quem sabe.

Felizmente.

Tenho uma pele de bebé, frágil, branca e agora bastante mais fininha.

Tenho de ter mil cuidados, mas estou aqui.

Sai vitoriosa e sai com mais força para aquilo que a vida poderá por no meu caminho daqui adiante.

Ontem fez um ano que aprendi que a vida é para ser vivida um dia de cada vez.

 

Amanhã já são 24

Amanhã completo 24 anos de vida. E acabo sempre por fazer uma pequena introspecção daquilo que tem sido a minha vida. Não estabeleci metas específicas, mas com esta idade já queria ter alcançado alguns objectivos que ainda não consegui. Não vou dizer que não fico triste por isso, fico. Mas por outro lado sinto que tenho ainda a vida toda à minha frente, que não me devo massacrar por não ter conseguido, mas continuar a lutar, dia após dia. Apesar de ainda estar na casa dos vinte, sinto que já vivi muito. No sentido em que a vida me pôs à prova inúmeras vezes. Doenças, perdas, acidentes. Sinto que tenho uma maturidade e uma maneira de pensar que muitas pessoas da minha idade não têm. Não sei se será bom se não. As vezes gostava de descontrair mais. De não estar constantemente preocupada com alguma coisa. 

Mas, entre momentos menos bons, houve milhares de coisas boas na minha vida. 

A minha família. A minha mãe que de a nove anos para cá, é mãe e pai. Aos meus irmãos e aos meus cunhados, que são incansáveis. Aos meus sobrinhos que são o meu aconchego. Aos meus amigos, que embora alguns ausentes, fazem sempre questão de fazerem lembrar que estão lá. E claro, ao meu amor. Que praticamente há três anos e meio que me acompanha nesta aventura que é a minha vida. A eles, um obrigada do tamanho do universo.

 

Que venha daí os 24 amanhã! 

Pág. 1/2

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D