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A girl's life

Filipa ♦ Algarve ♦ 23 anos ♦ Estuda de Turismo ♦ Apaixonada por filmes, séries e livros

Sex | 10.04.15

Tia

Filipa Iria

Fui tia pela primeira vez quando tinha apenas treze anos a caminho dos catorze. Não fazia ideia do que era ser tia, mas agradava-me a ideia de finalmente não ser a mais nova da família. Ia ter alguém para brincar e cuidar. E no meu coração já sabia que ia adorar o bebe que estava na barriga da minha irmã.

Nove anos depois tenho toda uma ideia mais composta, mais adulta do que realmente é o papel de tia. Não nos é ensinado (a nós, tios) como é suposto actuarmos perante determinadas situações. Na minha opinião, nós vamos crescendo como tal e aprendendo à medida que nos vamos deparando com as situações.

Ao longo destes nove anos aprendi que o nosso papel é muito mais que brincar e cuidar. Mudar fraldas, dar-lhes de comer (desde do biberão às papas), vestir-lhes (com pânico de lhes partirmos aqueles bracinhos frágeis e de os sufocar ao passar a camisola pela cabeça), adormece-los (mesmo quando vemos nos olhos deles que estão a dormir em pé mas recusam-se a adormecer) entre outras tantas coisas.

Não somos mães nem pais destas crianças, mas estas são, de alguma forma, nossas. Fomos nós que os acalma-mos daquela vez que já ninguém aguentava nem mais um minuto aquela choradeira. Fomos nós que conseguimos que finalmente comesse. Fomos nós que levámos com aqueles momentos infelizes em que estão "mal-dispostinhos" e sobra para cima de nós (bolçados/vómitos).

Somos uma peça fundamental na vida destas crianças, assim como elas são da nossa.

Após nove anos e três sobrinhos nascidos, sei a altura em que tenho de brincar e o momento em que tenho de me zangar. Sei que nem sempre merecem um sorriso e uma palmadinha nas costas, também temos o papel de os ensinar, de lhes transmitir valores. De lhes mostrar que a vida não é só brincadeira e que temos de lutar pelo que queremos.

A A, o R e a fazem de mim uma pessoa melhor.  Não há nada mais reconfortante e genuíno no mundo que um abraço de uma criança. De ouvirmos aquela voz inocente a dizer que gosta muito de nós.

Ainda tenho muito para aprender, mas o plano é esse. Vivendo e aprendendo, eles comigo e eu com eles.

Um beijinho para para eles e também para os meus outros três sobrinhos de coração.

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